4 de jul. de 2009

Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor

Mar Português__Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da Dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

29 de jun. de 2009

O doutor que desqualificou os jornalistas por Gerson Moreira Lima

Fonte: http://www.boqnews.com/coluna.php?cod=2145

Só ocupo esse espaço semanalmente porque existo. E se existo, devo a algumas pessoas,
entre elas minha avó Calixta, espanhola da gema. Foi por intermédio de suas mãos que cheguei ao mundo, em um quarto arejado de um sobrado na Rua João Guerra, 330, em Santos.

Agradeço até hoje sua perícia de parteira. Habilidade, aliás, elogiada pelo médico que visitou mamãe, posteriormente:“Dona Calixta se saiu melhor do que muito obstetra”,ouvi de minha própria mãe anos mais tarde.

Também o juiz do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, surgiu no STF pelas mãos
de alguém. Claro, não foi de dona Calixta, mas sim de uma indicação do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Pois foi exatamente o doutor Gilmar quem, como relator, praticamente definiu que, a partir de agora, o diploma de Jornalismo deixa de existir como pré-requisito para aqueles que pretendem exercer a profissão.

Em um arroubo de argumentação, equiparou o Jornalismo à arte da Culinária. Bem, entendo que há pessoas extremamente competentes em todos os segmentos e, é lógico,
também na cozinha. Mas considero que todas essas pessoas, se tiverem a oportunidade de frequentar um bom curso na área, terão condição de se tornar melhores profissionais ainda.

Claro, pode até haver autodidatas, e há. Alguns que até demonstrem desempenho melhor
do que formados recém saídos dos bancos universitários. Mas é óbvio - só mesmo
quem esbarra na miopia não entende - que, por mais talento tenha o sujeito, um bom curso no qual se discutam os dilemas éticos e mesmo técnicos das profissões será de fundamental relevância para melhores profissionais no mundo.

Fico aqui imaginando minha avó parteira se tivesse a oportunidade de frequentar uma escola de Medicina. Provavelmente teria alcançado fama na área médica. Da mesma forma, pessoas que desde a infância apresentam sensos crítico e ético apurados, amplo repertório cultural e facilidade de expressão parecem me ter futuro assegurado no Jornalismo. Mas aí tenho que ouvir, ver e ler baboseiras de que Medicina e Jornalismo são diferentes. Um profissional da área branca mata, o das letras não. Ignorância.

A Grande Reportagem interpretativa tem historicamente suas raízes no crack da Bolsa
dos EUA, em 1929. A crítica na época foi a de que o Jornalismo precisaria mudar para dar mais contexto para seus leitores. Explicar aos investidores que a Bolsa sobe, mas também cai. Ocorre que o Jornalismo de então não cumpriu seu dever. Resultado: desespero dos aplicadores. Consequência imediata: diversos suicídios nos EUA.

A verdade é que, tanto quanto qualquer profissão, o Jornalismo mal feito traz consequências desastrosas. Por isso, precisa, cada vez mais, de base científica para ser praticado.

Minha avó Calixta, se estivesse viva, tenho certeza, pensaria assim. Pena que o ministro do STF Gilmar Mendes não pense. Tanto que em uma simples canetada, com o apoio de outros juízes, jogou todos os jornalistas brasileiros dentro de uma cozinha. Acendeu o fogo e, debaixo de sua toga, parece torcer para que uma das profissões mais importantes do Planeta vire pó.

Aliás, está na Bíblia: do pó vieste e ao pó retornarás. Até lá doutor Gilmar!!!

Em tempo, prometo falar de futebol na semana que vem.

Obs: reproduzido do jornal Boqueirão News – A mudança no título do artigo foi feita pelo autor do blog visando especificar o tema.

24 de jun. de 2009

Primeira Página por Ailton Medeiros

Leitor compulsivo, entrei à madrugada lendo "Os Melhores Jornais do
Mundo", do jornalista Matias M. Molina.

O livro é um catatau de 675 páginas.

São perfis de 17 dos principais jornais do mundo. Dois deles foram
fundados no século XVIII, onze no século XIX e quatro no século XX.

O espanhol "El País, fundado em 1976, é o caçula da turma. Os mais
antigos são os ingleses "The Times" (1785) e "The Guardian" (1821).

Estão lá o alemão "Neue Zurcher Zeitung", os americanos "New York
Times", "The Washington Post" e "Los Angeles Times", os franceses "Le
Monde" e "Le Figaro", o italiano "Corriere della Sera", os japoneses
"Asahi Shimbun" e "Nihon Keizai Shimbun", entre outros.

Quais os critérios para se avaliar uma publicação?

Molina cita a revista "Time" que atribui como característica de um
jornal de qualidade sua preocupação com a comunidade.
"Um bom jornal diário tem de servir de consciência, de guardião e de
guia dessa comunidade", escreve.

"Também precisa ter uma curiosidade universal e fazer com que seus
leitores participem dela". Ou, nas palavras do dramaturgo americano
Arthur Miller, um bom jornal é uma nação falando para si mesma.

Molina conta histórias que engrandecem algumas publicações em
detrimento de outras.
Uma delas:

Quando Harrison Salisbury, do "New York Times", escreveu de Hanói que
a aviação americana tinha atingido populações civis, o "Washington
Post" saiu em defesa do bombardeio e acusou seu concorrente de estar à
serviço de Ho Chi Min, o líder do Vietnã do Norte.

Dias depois, as informações de Salisbury foram confirmadas pelo
próprio governo e também pelo "Post" que esqueceu de pedir desculpas
pelas relações incestuosas com o goveno Lyndo Johnson.

Katharine Graham, a toda poderosa dona do "Post", era defensora da
manutenção das tropas americanas no Vietnã. Achava, como a maioria da
imprensa da época, que a fronteira dos Estados Unidos estava no rio
Saigon.

Molina também conta episódios nada edificantes para a história do "New
York Times".

Nos anos de chumbo da era macartista, na década de 50, o jornal
demitiu dois jornalistas por se recusarem a depor perante o comitê do
Senado.

Mas vale ressaltar que o "Times" não apenas recusou transferir do
Vietnã o correspondente David Halberstam a pedido de John Kennedy,
como também cancelou suas férias para que o governo não achasse que o
jornal estava cedendo à pressão do presidente. (Halberstam ganharia
depois o Prêmio Pulitzer com suas reportagens sobre o conflito no
sudeste asiático).

Os republicanos, nesse terreno, não são muito diferentes dos democratas.

Molina relata uma reunião de Bush com Arthur Ochs Sulzberger Jr.,
"publisher" do "Times", na Casa Branca, em dezembro de 2005.
Bush não queria que o jornal publicasse que a Agência de Segurança
Nacional tinha instalado escutas clandestinas no país sem autorização
da Justiça.

A notícia saiu uma semana depois e teve ampla repercussão internacional.

Como resultado, o Senado não aprovou a prorrogação do Patriot Act e
Bush acusou o "New York Times" de "traidor" e "desleal".

Recheado de informações, "Os Melhores Jornais do Mundo" é leitura obrigatória.

Vamos, leitor hipócrita, tire a bunda da areia.

A vida não é só praia, cerveja e sol.

fonte: http://www.ailtonmedeiros.com.br/primeira-pagina-3/2008/01/17/

19 de jun. de 2009

O erro de Gilmar por João Campos (advogado especialista em direito do consumidor)

Você já viu uma ilha de edição? Você sabe como fazer uma matéria sobre menores infratores, quais os limites, as cautelas?  Um texto sobre portador de deficiência física? Qual é o jargão do jornalismo econômico, do jornalismo científico, do texto político? Como tratar adequadamente uma matéria sobre um cadáver ou um acidente?


Quando um box (texto menor que o principal, que traz informações extras etc. Ele se diferencia da retranca por estar dentro de uma "caixa", em negrito) é necessário na sua reportagem principal?  Como saber fazer o relato de um fato, apontando todos os lados envolvidos. O que são os critérios de proximidade, relevância e atualidade de uma matéria? O que é uma notícia quente ou fatual, o que vem a ser notícia fria ou de "validade expandida"?


Você sabe o que é um "lead" ou consegue escrever um título adequado à matéria, ou seja, que não revele tudo, que atraia a atenção do leitor para o texto, que caiba em duas, três, quatro colunas?


Por que o título costuma ser na voz ativa? Quando deve estar no tempo passado ou refletir o presente?


 


O que é "chapéu" (geralmente uma ou duas palavras, colocadas acima do título, que identificam o assunto geral tratado por aquela notícia) ou "olho" (frase colocada em destaque na matéria, que oferece uma informação a mais sobre o assunto).


 


Qual é o ritual para uma entrevista coletiva, o que é pauta, réplica, direito de resposta ou sigilo da fonte? Ou pior, como checar as fontes e apurar a verdade que vai para as páginas do jornal? Ou linha fina, créditos de repórter, de fotos ou ilustrações, retranca e selo?


Tudo isso você terá de saber no Google depois que o Ministro Gilmar Mendes, assinando o maior equívoco de todos os tempos cometido pelo Supremo Tribunal Federal (afinal, nove ministros o acompanharam no erro), extinguiu a obrigatoriedade da formação acadêmica do jornalista.


Batendo uma vez no prego, outra na estopa, o Ministro disse que não extinguia os cursos superiores de jornalismo, o que é verdade. A Corte apenas disse que o diploma não é obrigatório para o exercício da profissão.


Na verdade, não há como se exercer a profissão sem a formação acadêmica, sem uma faculdade, pois são tantos os detalhes técnicos, as facetas, os equipamentos, as exigências do jornalismo moderno, o tratamento da cor em uma foto, a localização precisa de um texto na página que um pretendente a jornalista, a bem da verdade, nunca vai chegar lá.


Ou seja, o Supremo errou feio, decidiu contra uma categoria inteira que acreditou na prevalência da formação sobre a aventura e não chegou a lugar algum. Os grandes jornais e as maiores emissoras de TV vão preferir o jornalista formado. Não por uma questão de lei, de jurisprudência ou de reserva de mercado, mas de qualidade na prestação de um dos bens mais preciosos da humanidade: a informação. 

Em berço esplêndido

Na cidade de Joinville houve um concurso de redação na rede municipal de ensino. O título recomendado pela professora foi:

 

 'Dai pão a quem tem fome'.


Incrível, mas o primeiro lugar foi conquistado por uma menina de apenas 14 anos de idade. E ela se inspirou exatamente na letra de nosso Hino Nacional para redigir um texto, que demonstra que os brasileiros verde amarelos precisam perceber o verdadeiro sentido de patriotismo.


'Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil chorar: 

O que houve, meu Brasil brasileiro?
Perguntei-lhe!

E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo...

Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores.
Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante.

Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes?
Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.

Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.

Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim.
Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado. Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais... Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?

Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.'

18 de jun. de 2009

O Diploma e o Curso de Jornalismo por Jonatha Carvalho

"Acredito que estamos encarando um desafio. É preciso repensar os cursos de comunicação e as novas especificidades de nossa área.

Questionar a obrigatoriedade ou não do diploma deixa para trás um debate mais profundo: na prática, nas rotinas de assessorias e redações, o que nos diferencia de um bom leitor com o mínimo de técnica para um lead e a "inteligência" de fazer um clipping?

Qualquer um aprende os métodos.

Tenho percebido no dia a dia que o curso pelo qual passamos é extremamente deficiente em diversos pontos.

Aprendemos sociologia, filosofia, sim. Mas quase tudo a que somos instruídos se perde no limbo do tempo (dead line) e nas necessidades empresariais que sobrepõem qualquer livre pensamento. 

E nossa profissão não está ligada ao simples escrever bem - atribuição mínima - mas, também e principalmente, à discussão de como solucionar problemas de comunicação e novas ferramentas que levem a mensagem (opinativa, informativa, o que for...) a quem dela necessita. Isso vale para periódicos como vale para estratégias de assessoria. Somos comunicólogos, acima de tudo.

Se não encontrarmos novas soluções para os problemas de comunicação existentes hoje - caso consigamos identificá-los, já que não "nos orientaram" sobre isso - não haverá muito sentido em insistir num atestado que nos reconhece como uma "categoria de pensadores que, por motivos óbvios, não pode pensar, sob o risco de ficar desempregada". Devemos enveredar para o estudo da comunicação em si. Devemos ser mais teóricos da comunicação do que idealistas com mordaças. Acredito que seria uma melhor justificativa para nosso suado diploma.

Quero chegar ao ponto de que, como profissionais de comunicação, precisamos repensar os formatos (e meios) de comunicação existentes com o objetivo de nos tornarmos profissionalmente mais independentes do sistema ao qual temos que nos sujeitar - e que tanto aprendemos a criticar no meio acadêmico, e sempre sem propor soluções, infelizmente. Assim devem pensar as universidades e assim devem pensar os estudantes e jornalistas. 

O futuro é esse. Ou então podemos continuar a despejar sorrisos amarelados em entrevistas de emprego (agora concorrendo com ex-atletas, administradores, advogados...).

 

Vale ressaltar de quem veio o latido para a não obrigatoriedade do diploma."

26 de mai. de 2009

Adapt or die by Robert Picard

 

Why journalists deserve low pay
 
The demise of the news business can be halted, but only if journalists commit to creating real value for consumers and become more involved in setting the course of their companies.

 

Journalists like to think of their work in moral or even sacred terms. With each new layoff or paper closing, they tell themselves that no business model could adequately compensate the holy work of enriching democratic society, speaking truth to power, and comforting the afflicted.

Actually, journalists deserve low pay.

Wages are compensation for value creation. And journalists simply aren't creating much value these days.

Until they come to grips with that issue, no amount of blogging, twittering, or micropayments is going to solve their failing business models.

Where does value come from?

Moral philosophers differentiate intrinsic and instrumental value. Intrinsic value involves things that are good in and of themselves, such as beauty, truth, and harmony. Instrumental value comes from things that facilitate action and achievement, including awareness, belonging, and understanding. Journalism produces only instrumental value. It is important not in itself, but because it enlightens the public, supports social interaction, and facilitates democracy.

Economic value is rooted in worth and exchange. It is created when finished products and services have more value – as determined by consumers – than the sum of the value of their components.

To comprehend journalistic value creation, we need to focus on the benefits it provides. Journalism creates functional, emotional, and self-expressive benefits for consumers. Functional benefits include providing useful information and ideas. Emotional benefits include a sense of belonging and community, reassurance and security, and escape. Self-expressive benefits are provided when individuals identify with the publication's perspectives or opinions, or when they're empowered to express their own ideas.

These benefits used to produce significant economic value. Not today. That's because producers and providers have less control over the communication space than ever before. In the past, the difficulty and cost of operation, publication, and distribution severely limited the number of content suppliers. This scarcity raised the economic value of content. That additional value is gone today because a far wider range of sources of news and information exist.

The primary value that is created today comes from the basic underlying value of the labor of journalists. Unfortunately, that value is now near zero.

The total value is the value of content plus the value of advertising. However, advertisers don't care about journalism – only the audience that it produces. Thus the real measure of journalistic value is value created by serving readers.

What are journalists worth?

Economic outcomes have traditionally held low priority for journalists. That's got to change.

Journalists are not professionals with a unique base of knowledge such as professors or electricians. Consequently, the primary economic value of journalism derives not from its own knowledge, but in distributing the knowledge of others. In this process three fundamental functions and related skills have historically created economic value: Accessing sources, determining significance of information, and conveying it effectively.

Accessing sources is crucial because information and knowledge do not exist as a natural resource that merely has to be harvested. It must be constructed by someone. The journalistic skill of identifying and reaching authorities or others who construct expertise traditionally gave journalists opportunities to report in ways that the general public could not.

Determining significance has been critical because journalists sort through an enormous amount of information to find the most significant and interesting items for consumers.

Effective presentation involves the ability to reduce information to its core to meet space and time requirements and presenting it in an interesting and attractive manner. These are built on linguistic and artistic skills and formatting techniques.

Today all this value is being severely challenged by technology that is "de-skilling" journalists. It is providing individuals – without the support of a journalistic enterprise – the capabilities to access sources, to search through information and determine its significance, and to convey it effectively.

To create economic value, journalists and news organizations historically relied on the exclusivity of their access to information and sources, and their ability to provide immediacy in conveying information. The value of those elements has been stripped away by contemporary communication developments. Today, ordinary adults can observe and report news, gather expert knowledge, determine significance, add audio, photography, and video components, and publish this content far and wide (or at least to their social network) with ease. And much of this is done for no pay.

Until journalists can redefine the value of their labor above this level, they deserve low pay.

Well-paying employment requires that workers possess unique skills, abilities, and knowledge. It also requires that the labor must be non-commoditized. Unfortunately, journalistic labor has become commoditized. Most journalists share the same skills sets and the same approaches to stories, seek out the same sources, ask similar questions, and produce relatively similar stories. This interchangeability is one reason why salaries for average journalists are relatively low and why columnists, cartoonists, and journalists with special expertise (such as finance reporters) get higher wages.

Across the news industry, processes and procedures for news gathering are guided by standardized news values, producing standardized stories in standardized formats that are presented in standardized styles. The result is extraordinary sameness and minimal differentiation.

It is clear that journalists do not want to be in the contemporary labor market, much less the highly competitive information market. They prefer to justify the value they create in the moral philosophy terms of instrumental value. Most believe that what they do is so intrinsically good and that they should be compensated to do it even if it doesn't produce revenue.

A century and half ago, journalists were much closer to the market and more clearly understood they were sellers of labor in the market. Before professionalism of journalism, many journalists not only wrote the news, but went to the streets to distribute and sell it and few journalists had regular employment in the news and information business. Journalists and social observers debated whether practicing journalism for a news entity was desirable. Even Karl Marx argued that "The first freedom of the press consists in it not being a trade."

Adapt or die

If the news business is to survive, we must find ways to alter journalism's practice and skills to create new economic value.

Journalism must innovate and create new means of gathering, processing, and distributing information so it provides content and services that readers, listeners, and viewers cannot receive elsewhere. And these must provide sufficient value so audiences and users are willing to pay a reasonable price.

If value is to be created, journalists cannot continue to report merely in the traditional ways or merely re-report the news that has appeared elsewhere. They must add something novel that creates value. They will have to start providing information and knowledge that is not readily available elsewhere, in forms that are not available elsewhere, or in forms that are more useable by and relevant to their audiences.

One cannot expect newspaper readers to pay for page after page of stories from news agencies that were available online yesterday and are in a thousand other papers today. Providing a food section that pales by comparison to the content of food magazines or television cooking shows is not likely to create much value for readers. Neither are scores of disjointed, undigested short news stories about events in far off places.

Some news magazines have confronted the issue and are already changing and trying to provide unique news content. Newsweek has moved away from creating a compendium of events to a publication that explores the issues and implications of events and trends. US News & World Report has emphasized its consumer review and rankings activities.

Daily newspapers don't have quite as much leeway with content but they can emphasize uniqueness. The Boston Globe, for example, could become the national leader in education and health reporting because of the multitude of higher education and medical institutions in its coverage area. Not only would it make the paper more valuable to readers, but it could sell that coverage to other publications. Similarly, The Dallas Morning News could provide specialized coverage of oil and energy, The Des Moines Register could become the leader in agricultural news; and the Chicago Tribune in airline and aircraft coverage. Every paper will have to be the undisputed leader in terms of their quality and quantity of local news.

Finding the right formula of practice, functions, skills, and business model will not be easy, but the search must be undertaken.

It is not just a matter of embracing uses of new technologies. Journalists today are often urged to change practice to embrace crowd sourcing, to search specialty websites, social networks, blogs, and micro-blogs for story ideas, and to embrace in collaborative journalism with their audiences. Although all of these provide useful new ways to find information, access knowledge, and engage with readers, listeners, and viewers, the amount of value that they add and its monetization is highly debatable. The primary reason is that those who are most highly interested in that information and knowledge are able to harvest it themselves using increasingly common tools.

Finding the rights means to create and protect value will require collaboration throughout news enterprises. It is not something that journalists can leave to management. Journalists and managers alike will need to develop collaboration skills and create social relations that make it possible. Journalists will also need to acquire entrepreneurial and innovation skills that makes it possible for them to lead change rather than merely respond to it.

The demise of the news business can be halted, but only if journalists commit to creating value for consumers and become more involved in setting the course of their companies.

Robert G. Picard is a professor of media economics at Sweden's Jonkoping University, a visiting fellow at the Reuters Institute at Oxford University, and the author and editor of 23 books, including "The Economics and Financing of Media Companies." This essay is adapted from a lecture Professor Picard gave at Oxford. He blogs at http://themediabusiness.blogspot.com/