Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
No Sábado à noite, ao ouvir Boas Novas do Cazuza, pensei que a geração atual está precisando de um poeta. Acho que o excesso de informação acabou deixando um vazio para meninos e meninas. Por mais que os jogos, as comunidades virtuais, os msns e as parafernálias de última geração tenha permitido a extrema individualização de cada um.
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Um poeta, aquele que vê e transforma em palavras, carregadas de sentimentos, todos os anseios de uma geração não existe neste momento. Cazuza era mestre nessa sinceridade. Chegou a ter uma canção na abertura de uma novela em que denunciava: "Brasil mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim / Brasil, qual é o seu negócio, o nome do seu sócio confie em mim, confie em mim".
Todo o Mundo é composto de mudança
As palavras na voz dele transmitiam um sentimento difícil de reproduzir na letra impressa, mas os que ouviram se lembrarão com facilidade do tom de indignação do cantor.
Tomando sempre novas qualidades.
Cazuza foi o retrato de sua geração. Era sincero no discurso, mas não agia no dia-a-dia. Não o culpo, o primeiro papel do artista mostrar as aguras da sociedade, e, se possível agir de alguma forma. Ele fazia da crítica uma mea culpa.
Continuamente vemos novidades,
Cazuza estava por demais envolvido no meio, que também o abraçava como representante e mediador. O garoto que queria mudar o mundo, mas que num arroubo de sinceridade confessava freqüentar as festas do Gran Mondeo.
Diferentes em tudo da esperança;
Ele almejava uma também uma ideologia para viver. As teorias políticas e econômicas, daquele tempo, já não o enganavam mais. Continuava tudo igual, novas palavras repetindo velhos paradigmas. No amor, as oscilações da geração se refletiam nas canções, de Exagerado a Faz Parte do Meu Show.
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
Contudo a canção que mais me impressiona é Um Trem Para As Estrelas, letra do poeta e melodia de Gilberto Gil. O Cristo na janela, as pessoas nos pontos de ônibus, as esperança, extras de um filme, cicerones, todos querem se dar bem, manchetes de jornal, tristeza como forma de se salvar. A canção é o retrato mais pungente da realidade.
E do bem (se algum houve...) as saudades.
Os críticos vão lembrar do menino mimado das festas, das drogas e dos abusos. Mas ele tinha essa visão de inconformismo, e, infelizmente a insatisfação acabou o levando aos excessos... Da mesma forma, aquela geração também estava insatisfeita, mas a insatisfação não foi suficiente a sociedade a tragou permitindo os mesmos excessos e oferecendo o doce sabor da classe média.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Naquele tempo, os ambientalistas já existiam, e eram os mais ativos, mas o meio ambiente não assombrava como hoje. Os discursos soavam como pregar no deserto. Poucas ações foram feitas. A campanha contra a poluição do rio Tietê foi a mais produtiva. E, de qualquer forma demorou-se para chegar a resultados concretos.
Que já coberto foi de neve fria,
Eu passei de soslaio por aquela geração, foi uma época em que lia as crônicas do Caio Fernando Abreu no jornal conservador e me informava acompanhando a revista liberal da classe média. No jornal também havia um cronista que falava maravilhas de Nova York. Gostaria de ter assistido Manhatan Connection naqueles anos, nem sei se havia. Mas no domingo as crônicas do velhinho de óculos com lentes grossa eram uma diversão à parte.
E em mim converte em choro o doce canto.
Até quando repetia o chavão de: No meu tempo, um amigo mais velho repetia: O seu tempo é hoje. E depois do filme do Paulinho da Viola, se o próprio compositor diz a mesma frase. Me rendo à contemporaneidade.
E, afora este mudar-se cada dia,
Mas, mesmo com todos os conjuntos e canções, inclusive o rap, hip-hop e outras manifestações do gênero. Não existe o poeta, que como Vinícius representava em seu tempo a geração. Vamos acrescentar o Tom aqui para dar equilíbrio à época.
Outra mudança faz de mor espanto:
O que há atualmente é música de tribo, ou de gueto como preferir que representam segmentos da sociedade. Ipods e Mp3, que são a última tecnologia na música, podem estar carregados de canções mas levam também o vazio poético desta geração.
Que não se muda já como soía.
São 7 horas da manhã
Vejo Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
É a esperança que eles tem
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem
Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Estranho o teu Cristo, Rio
Que olha tão longe, além
Com os braços sempre abertos
Mas sem protejer ninguém
Eu vou forrar as paredes
Do meu quarto de miséria
Com manchetes de jornal
Pra ver que não é nada sério
Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois
Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Para saber mais
Como no mito de Sísifo,o último assunto é sempre o próximo a ser tratado pelos jornalistas. Conjunto de reportagens, entrevistas e textos afins.
6 de jul. de 2008
3 de jul. de 2008
O jornalismo e as diferentes realidades
O resgate da ex-candidata a presidente da Colômbia, Ingrid Betancourt, pelo exército colombiano demonstra, claramente, como todo fato que se torna história, possue mais de uma realidade que é abordada pela imprensa.
Num primeiro momento, os meios de comunicação não têm tempo para investigações mais aprofundadas e convém acreditar na versão oficial. Todavia as notícias possuem desdobramentos desencadeando as suítes. A partir delas, dentro de 15 a 30 dias pode se fazer um retrato bem próximo do que aconteceu.
Houve uma supervalorização da operação militar com declarações da resgatada de 'perfeita'. Mas, Betancourt em seu depoimento sobre o resgate fala que acordou quatro horas da manhã e rezou com bastante fé. Em outro momento ela se questiona: 'será que isso é um circo, que vamos novamente ser vítimas de outra palhaçada'. Ora, se ela estava sendo encaminhada para outro acampamento, como poderia pensar dessa forma.
O autor destas linhas, na quarta-feira (2) à noite, pesquisou os diferentes sites de notícias para ficar inteirado de cada realidade explicada pelos meios. Surpreendente foi a cobertura do New York Times que com repórteres nos três continentes conseguiu fazer um retrato mais aproximado da 'realidade jornalística'. O Times escreve que os Estados Unidos deram suporte à operação, no planejamento e em outros aspectos, não explicados. O jornal também não embarcou no resgate cinematográfico que foi abraçado pela imprensa de Pindorama.
Vale ressaltar que o episódio está sendo usado como arma política, não só pela senadora, mas também pelos presidentes colombianos e franceses. Até o candidato McCain aproveitou para elogiar o trabalho da Casa Branca como mostra o Ny Times. Nesse item a Folha conseguiu colocar uma notícia explicando um dos interesses do presidente Uribe; Refazer o referendo de que legitimava as eleições de 2006.
Relembrando o slogan do Arquivo X, 'A verdade está lá fora'. Resta a nós interessados nas diferentes realidades dos fatos aguardar pelos desdobramentos das notícias para termos um melhor ponto de vista do que realmente aconteceu. E fica no ar a questão: Por quê o presidente da Venezuela não fala mais no assunto, nem fez nenhuma declaração relacionada ao resgate. E abandonou seu envolvimento com a guerrilha já há algum tempo.
Num primeiro momento, os meios de comunicação não têm tempo para investigações mais aprofundadas e convém acreditar na versão oficial. Todavia as notícias possuem desdobramentos desencadeando as suítes. A partir delas, dentro de 15 a 30 dias pode se fazer um retrato bem próximo do que aconteceu.
Houve uma supervalorização da operação militar com declarações da resgatada de 'perfeita'. Mas, Betancourt em seu depoimento sobre o resgate fala que acordou quatro horas da manhã e rezou com bastante fé. Em outro momento ela se questiona: 'será que isso é um circo, que vamos novamente ser vítimas de outra palhaçada'. Ora, se ela estava sendo encaminhada para outro acampamento, como poderia pensar dessa forma.
O autor destas linhas, na quarta-feira (2) à noite, pesquisou os diferentes sites de notícias para ficar inteirado de cada realidade explicada pelos meios. Surpreendente foi a cobertura do New York Times que com repórteres nos três continentes conseguiu fazer um retrato mais aproximado da 'realidade jornalística'. O Times escreve que os Estados Unidos deram suporte à operação, no planejamento e em outros aspectos, não explicados. O jornal também não embarcou no resgate cinematográfico que foi abraçado pela imprensa de Pindorama.
Vale ressaltar que o episódio está sendo usado como arma política, não só pela senadora, mas também pelos presidentes colombianos e franceses. Até o candidato McCain aproveitou para elogiar o trabalho da Casa Branca como mostra o Ny Times. Nesse item a Folha conseguiu colocar uma notícia explicando um dos interesses do presidente Uribe; Refazer o referendo de que legitimava as eleições de 2006.
Relembrando o slogan do Arquivo X, 'A verdade está lá fora'. Resta a nós interessados nas diferentes realidades dos fatos aguardar pelos desdobramentos das notícias para termos um melhor ponto de vista do que realmente aconteceu. E fica no ar a questão: Por quê o presidente da Venezuela não fala mais no assunto, nem fez nenhuma declaração relacionada ao resgate. E abandonou seu envolvimento com a guerrilha já há algum tempo.
19 de jun. de 2008
Une Nouvelle Magazine
Na noite do 8 de maio, uma quinta-feira perto da hora em que a gente sai para ir ao bistreaux, nasceu a Revista Pausa com uma abordagem nova sobre o documentário trés chic e trés esclarecedor do nosso compositor da Nouvelle Music.
Atarefado com algumas reportagens e trabalhos acadêmicos, não percebi a produção cultural dos amigos que efervescia. De toda forma, agora, aproveito para homenagear a iniciativa e colaborar com alguns textos e matérias.
A revista que tem formato inicial de weblog merece uma visita quase que diária para se saber o que jornalistas e escritores, antenados com a cidade, estão descobrindo e dividindo com os leitores.
O raro brinde com a coca-cola é um desejo de sorte,inovação, cultura, páginas impressas e vida longa à Revista Pausa. Cheers!!!
Atarefado com algumas reportagens e trabalhos acadêmicos, não percebi a produção cultural dos amigos que efervescia. De toda forma, agora, aproveito para homenagear a iniciativa e colaborar com alguns textos e matérias.
A revista que tem formato inicial de weblog merece uma visita quase que diária para se saber o que jornalistas e escritores, antenados com a cidade, estão descobrindo e dividindo com os leitores.
O raro brinde com a coca-cola é um desejo de sorte,inovação, cultura, páginas impressas e vida longa à Revista Pausa. Cheers!!!
2 de jun. de 2008
19 de mai. de 2008
1 de mai. de 2008
Uma vida dedicada à arte gráfica
Um menino negro corre empunhando a bandeira do Brasil. As estrelas dos 27 estados caem e se espalham pelo chão iluminando o caminho percorrido pelo garoto. Ao fundo aparecem colagens de obras gráficas feitas nos anos do regime militar. Todo o conjunto é obra do artista gráfico Elifas Andreato que ministrou aula magna na Unisanta para os alunos do curso de Produção Multimídia, na quinta-feira, 24 de abril.
Por meio da animação, exibida na aula e feita para a abertura da minissérie Queridos Amigos, Andreato mostrou um panorama de sua carreira. Dos primeiros anos como chargista do jornal dos operários quando trabalhava como aprendiz de torneiro mecânico para uma fábrica de fósforo até a luta contra a ditadura em que ilustrava a idéia dos jornalistas contrários ao regime da época. No mesmo período fez capas de disco para os cantores e compositores da música popular brasileira(MPB). Naquele momento, a MPB foi porta voz das insatisfações impostas pelo regime militar.
O artista, que se considera um cidadão brasileiro, um profissional de imprensa e um desenhista gráfico, ressaltou a importância de ser coerente com obra que se realiza e ter humildade ao ilustrar trabalhos de outros autores, como capas de discos e livros, ilustrações e cartazes.
“Quando comecei a trabalhar como artista gráfico eu parti de um princípio simples, seria o sujeito que traduziria para o papel um convite para que as pessoas conhecessem obras muito maiores que a minha, e esta consciência me trouxe uma enorme responsabilidade, que é de traduzir corretamente o conteúdo das coisas, porque ninguém ouve um disco ou lê um livro sem antes ver a capa, e também para se ir assistir a uma peça de teatro, primeiro se vê o cartaz”.
Andreato falou sobre o processo criativo em que para expressar uma grande obra é preciso conhecê-la profundamente. Isso marcou a sua forma de buscar um contato não só com a obra, mas também com o autor. Nas capas de discos, o artista retratou momentos particulares dos compositores. Um dos casos é a capa que mostra o músico Paulinho da Viola, com lágrimas nos olhos, oferecendo um buquê de flores. A imagem ilustrou o disco Nervos de Aço. De forma sutil o ilustrador fazia referência à separação do compositor.
Sendo um artista experiente, Andreato disse que ainda sente uma certa insegurança ao realizar alguma encomenda. “Com o passar do tempo tudo fica mais difícil porque a tua exigência é maior e o que as pessoas esperam também é maior. Não se iludam vai ser difícil a vida toda”.
Dois elementos são marcantes na obra de Andreato. Personalidades com rosto de palhaço e estrelas. Para o artista, as estrelas representam a esperança, o inalcançável e o nascimento. Uma lembrança da infância no interior, onde o céu noturno sempre estrelado o fazia colocar no papel na tentativa de alcançá-las. O palhaço para Andreato representa um dos objetivos da arte. “O palhaço se entrega aos outros sem esperar nada em troca, apenas o sorriso”.
3 de abr. de 2008
Sarau na biblioteca retrata o amor com canções autorais
(Matéria publicada no site da Universidade Santa Cecília em 03 de abril 2008)
Na última quinta-feira de março, a biblioteca central da UNISANTA foi o palco para trovadores modernos. Em cena, canções e poesias de amor, interpretadas por Anna Beatriz, Anna Fecker, Rita Massutti e Íris La Cava acompanhadas no violão por Zéllus Machado e Bruno Volgi.
Na última quinta-feira de março, a biblioteca central da UNISANTA foi o palco para trovadores modernos. Em cena, canções e poesias de amor, interpretadas por Anna Beatriz, Anna Fecker, Rita Massutti e Íris La Cava acompanhadas no violão por Zéllus Machado e Bruno Volgi.
Intercalando poesias e canções autorais como Bela de Balzac, Lia Mar, Selva de Chacais, Enamorada e Deusa da Noite, o grupo fez o público, por um momento, esquecer das preocupações cotidianas e sonhar com os romances retratados nas páginas dos livros.
A declamação das poesias foi acompanhada por suaves acordes que, em seguida, davam formas às canções. Antíteses, metáforas e outras figuras de linguagem estavam presentes ao tentar explicar os sentimentos de amor e amizade.
O criador do espetáculo e autor das canções, Zéllus Machado, elogiou a iniciativa e sugeriu que, "se tenha mais gente se apresentando na biblioteca, unindo literatura e musicalidade". Zéllus também lembrou que a apresentação tem um lado lúdico que visa melhorar o ser humano.
"Amores é um show sensível que fala das emoções, tão em voga hoje em dia", afirmou a produtora cultural Marcia Abbud, que assistia a apresentação e disse que o show tem uma boa concepção artística.
A apresentação foi encerrada com a canção Jorge de Capadócia, que segundo Zéllus é uma benção para o show continuar. A tradição do auxílio divino aos cavaleiros medievais é seguida pelos trovadores modernos principalmente quando se trata de cantar o amor.
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