12 de jul. de 2007

A América e seus heróis

Heroes, doravante denominado Heróis é uma série americana em que seus personagens principais possuem habilidades especiais, como voar, ficar invisível, mover objetos, viajar através do tempo e do espaço, ouvir pensamentos, regenerar o corpo, atravessar paredes entre outros que podem surgir a cada novo episódio.

Cada personagem tem um dom particular, porém dois deles são diferentes Peter (Milo Ventimiglia) e Sylar (Zachary Quinto). O mocinho e o vilão. O primeiro absorve os poderes quando está próximo de outra pessoa que possua algum poder. O segundo mata os heróis para ficar mais poderoso, aniquilar todos os outros e ser único.

Os 23 episódios da primeira temporada contam a origem dos personagens e seus poderes. A primeira vista são pessoas normais que de uma hora para outra se deparam com algum poder que desconheciam anteriormente e agora não sabem como usá-lo ou até que ponto esta nova habilidade pode ser útil ou prejudicial.

A histórias se passam em vários estados norte-americanos, do Texas à Nova York. Como existem personagens japoneses e indianos, alguns episódios apresentam cenas no Japão e na Índia. O herói japonês, Hiro Nakamura (Masi Oka), tem o dom congelar tempo e espaço, além de viajar para o passado e futuro.

O Indiano Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy) não tem habilidades especiais à primeira vista, contudo, o pai dele, Chandra Suresh (Erick Avari), que era geneticista, teve uma filha especial, descobriu as mudanças genéticas que fazem as pessoas desenvolverem os poderes, cruzou os diferentes códigos genéticos e fez uma lista com os nomes e os endereços dos que nasceram diferentes.

Chandra Suresh procura localizar as pessoas com estas aptidões e estudá-las, porém, o resultado não ocorreu como ele esperava.

Mortes cruéis acontecem no decorrer dos episódios. Não há pistas para a polícia. Os agentes federais encontram o nome de Sylar por trás dos assassinatos, todavia, os crimes acontecem em diversos estados. O assassino seria somente uma pessoa ou várias e por que as mortes ocorrem de forma desumana

Se dividíssemos a série em três partes. A primeira vai narrar o surgimento dos heróis, do vilão, de uma agência do governo com a fachada de uma fábrica de papel e da batalha para o mocinho salvar a líder de torcida. “Salve a líder de torcida e salve o mundo”, é o refrão dos diferentes personagens no decorrer dos primeiros episódios acompanhado dos conflitos que envolvem a vida da garota.

A segunda parte relata uma reviravolta na história decorrentes do surgimento de novos personagens, dos heróis que se rebelarem contra a agência e a descoberta de uma nova missão. Proteger Nova York de uma explosão nuclear que ocorrerá poucos dias após as eleições congressistas.

Como cada personagem tem histórias pessoais, uma boa parte da série envolve a vida das pessoas e como elas lidam com seus poderes no dia-a-dia. Os dramas particulares são explorados nos episódios. Vale lembrar que um seriado tem estrutura semelhante a uma novela e para se cativar o telespectador é preciso fazer com que a vida dos heróis possuam características em comum com a de quem assiste.

A inovação na série é que os heróis não são imortais. Na terceira parte, mais alguns deles morrem. Outros passam a se ajudarem mutuamente na tentativa de evitar a explosão nuclear e se livrarem dos perigos. A luta do bem contra o mal, maniqueísmo que faz parte do modo americano de ver as coisas, é bem delimitada em toda a série, apesar dos mistérios. Reflexões filosóficas permeiam quase todos os episódios da série, numa tentativa de se juntar ação e filosofia.

A defesa da família e a crítica aos políticos que fazem qualquer coisa para ocuparem o poder, como fraudes nas eleições e negociatas com mafiosos são mostradas na série. Retrato dos novos tempos americanos, acrescida da reflexão: até que ponto a família é mais importante que a pátria, ou o sacrifício individual justifica a defesa da sociedade.

Heróis mistura ficção científica, histórias em quadrinhos com referências metalingüísticas, estilo de narrativa clássico e vida cotidiana. O tempo passa de forma aleatória. Presente no desenvolvimento dos acontecimentos, passado em preto em branco para explicar as causas do presente e futuro onde os personagens, que podem se tele-transportar, vêem os erros do presente e das ações que devem evitar.

Em geral, as manifestações artísticas apresentam duas características importantes. Heróis, por sua vez, incorpora elementos de várias outras séries e filmes contemporâneos como Matrix, Guerra nas Estrelas, Lost entre outros, que os críticos classificam como pastiche. Outra característica é refletir a sociedade contemporânea com suas tensões, medos, atrocidades e o uso dos últimos recursos tecnológicos. Mesmo no futuro os problemas sociais não são resolvidos e a civilização repete o passado.

Se o mitólogo, Joseph Campbell, estivesse vivo. Com certeza ele apontaria muitos arquétipos que a série faz uso. Talvez nos desse uma explicação mais profunda das questões filosóficas que entretém o telespectador e provavelmente diria que independente do que as histórias contem, os valores como amor, amizade, família, honestidade, solidariedade e um coração puro entre outros são a substância de todas elas.

7 de jul. de 2007

Palavras do Ernesto Diniz

Paixões: "Por árvores antigas, por avelã, chocolate, castelos, lealdade. Paixão pelo silêncio na hora certa, pela piada na hora errada, paixão pelas gargalhadas cúmplices. Paixão pela lua, pelas mudanças, pelo verso que passou e estamos em outro planeta. Paixão pela Poesia e pela Prosa, e, fatalmente, pela perdição entre as duas. Paixão por perfumes, andar na praia à noite, perder-me no tempo escrevendo ou lendo, a paixão pelos livros é confidente. Paixão pela liberdade, pela total falta de regras, mas paixão pela lealdade e pela força de espírito. Paixão menos pelo que é falado, mais pelo que é sentido."( Autor: Ernesto Diniz - blog: http://naselva.com/ernesto )

28 de jun. de 2007

Futebol e Literatura

( Quando os ídolos menosprezam a seleção vale lembrar o texto de Eduardo Galeano. As palavras do escritor faz recordar os dribles do Garrincha e suas peripécias. Um verdadeiro balé futebolístico.)


Em um belo dia a deusa dos ventos beija o pé do homem, o maltratado, desprezado pé, e desse beijo nasce o ídolo do futebol. Nasce em berço de palha e barraco de lata e vem ao mundo abraçado a uma bola.

Desde que aprende a andar, sabe jogar. Quando criança alegra os descampados e os baldios, joga e joga e joga nos ermos dos subúrbios até que a noite cai e ninguém mais consegue ver a bola, e quando jovem voa e faz voar nos estádios. Suas artes de malabarista convocam multidões, domingo após domingo, de vitória em vitória, de ovação em ovação.

A bola o procura, o reconhece, precisa dele. No peito de seu pé, ela descansa e se embala. Ele lhe dá brilho e a faz falar, e neste diálogo entre os dois, milhões de mudos conversam. Os Zé Ninguém, os condenados a serem para sempre ninguém, podem sentir-se alguém por um momento, por obra e graça desses passes devolvidos num toque, essas fintas que desenham os zês na grama, esses golaços de calcanhar ou de bicicleta: quando ele joga o time tem doze jogadores.

- Doze? Tem quinze! Vinte!

A bola ri,radiante, no ar. Ele a amortece, a adormece, diz galanteios, dança com ela, e vendo essas coisas nunca vistas, seus adoradores sentem piedade por seus netos ainda não nascidos, que não estão vendo o que acontece.

Mas o ídolo é ídolo apenas por um momento, humana eternidade, coisa de nada; e quando chega a hora do azar para o pé de ouro, a estrela conclui sua viagem do resplendor à escuridão. Esse corpo está com mais remendos que roupa de palhaço, o acrobata virou paralítico, o artista é uma besta:

- Com a ferradura, não!

A fonte da felicidade pública se transforma no pára-raios do rancor público:

- Múmia!

Às vezes, o ídolo não cai inteiro. E às vezes, quando se quebra, a multidão o devora aos pedaços.

(Eduardo Galeano, "Futebol, ao sol e à sombra")

25 de jun. de 2007

Copacabana que me desculpe

(Algumas impressões de um Rio de Janeiro, à época um pouco menos violento. Escrito em abril de 2002. A França só tinha ganho do Brasil uma vez e a violência já existia, mas era menos aparente...)

O dia amanhece. Eu ando nas areias da praia do Leblon, as ondas quebram no mar, mais a frente, uma mulher em trajes de banho caminha acompanhada de seu fiel cão. Apesar da beleza marítima, não se deve esquecer da segurança.

Copacabana que me desculpe, mas ver o dia nascer entre Leblon e Ipanema, tendo ao fundo a paisagem do Pão de Açúcar, é para francês nenhum botar defeito.

Passear pela capital fluminense num domingo de Abril, faz lembrar da música do Gilberto Gil, com abraços aos personagens sem esquecer da cidade que o cantor descreve com elogios.

Quando o sol já estava alto, vejo na famosa praia uma partida de futebol entre franceses e brasileiros, provando que no Rio o campeão é sempre o Brasil. A torcida estava composta por integrantes da bateria de alguma escola de samba e suas mulatas, sambando e sonhando com uma viagem pra fora.

Mais tarde, as ondas tentam derrubar os surfistas na praia do Arpoador. Eles, por sua vez, aproveitam-se das condições naturais para se exercitarem.

O pretexto para visitar a cidade foi a exposição “Utopia Gráfica”, que os camaradas tinham feito na União Soviética durante o período comunista, e, para minha surpresa, encontrei até campanha de cigarros, biscoitos, sabonetes.

Será que não era um capitalismo dentro do regime socialista? Na exposição podia se ver, além de cartazes de cinema, peças gráficas em formato grande com referências ao primeiro de maio, aos camponeses, e a união de todos os povos em um regime igualitário.

Ver esse conjunto de cultura, arte e beleza, faz a gente pensar na Joie de vivre. As cores azul e branco do jogador nos mostra que a liberdade e a paz entre os povos, embora difícil de ser alcançada pode ser vista num dia de domingo, no Rio de Janeiro.

27 de mai. de 2007

Escola Livre mostra outra perspectiva da dança

A seguinte reportagem foi feita para o Jornal Online da Universidade Santa Cecília, na edição de sábado, 26 de maio de 2007

Escola Livre mostra outra perspectiva da dança


Ao levar uma das filhas para a Escola Livre de Dança da Secretaria da Cultura de Santos, a artista plástica Karla Bernard descobriu que havia ali atividades também para ela. Karla fez o curso de dança moderna e contemporânea e, atualmente, dirige a Associação de Pais e Alunos Companhia da Dança, além de participar de dois grupos da escola.

Outras mães seguem o mesmo exemplo e participam dos cursos de extensão curricular e das oficinas oferecidas pela escola, enquanto as filhas se dedicam à dança.

A professora Adriana Ayres diz que as mães têm muito a ganhar ao participarem das atividades oferecidas. “A correção da postura corporal, os exercícios de dança e a interação criada pelos movimentos faz com que haja um ganho na qualidade de vida e uma melhora da auto-estima delas”, explica.

Já as meninas que não se encaixam nos padrões do balé clássico descobrem na escola o talento para a dança e a criação de coreografias. “As crianças podem fazer parte da Escola Livre de Dança, porque aqui não existe a obrigação de se encaixar na forma exigida pelo balé”, diz a professora Adriana.

Unindo arte e educação, a escola oferece oficinas de dança integrativa, iniciação à dança, flamenco e jazz. Nas duas últimas modalidades, participam crianças e adultos. As oficinas de dança têm duração de um ano e os cursos extracurriculares, de três. As crianças levam de sete a nove anos para se formar em dança moderna e contemporânea.

“A dança integrativa reúne jogos cooperativos, dança criativa, que trabalha o lado lúdico, e danças circulares, que remetem às danças antigas de todos os países do mundo. As danças circulares são realizadas da mesma forma como foram criadas”, explica a professora Fátima Abreu.

As aulas acontecem de duas a quatro vezes por semana, com uma hora de duração. Os alunos desenvolvem habilidades de coordenação motora, musicalidade, expressão corporal e participam de atividades complementares com aulas de iluminação, cenografia, teatro e moco, que mistura arte marcial, resistência, força e concepção de movimentos.

Os cursos de dança são procurados por alunos que desejam trabalhar como bailarinos profissionais. “A escola oferece uma formação em dança completa e os alunos aproveitam bem. O jazz, por exemplo, abre o leque para se dançar nos shows de cantores de músicas românticas”, conta a professora Joyce Santos.

“Depois de formados, os alunos podem trabalhar como bailarinos, professores ou coreógrafos”, diz a cenógrafa Cristiana Pieroni.

Nos cursos de dança moderna e contemporânea, o balé clássico está presente porque é um dos fundamentos. Fátima esclarece que a dança moderna permite uma maior possibilidade de movimentação e, em alguns casos, dispensa o uso de sapatilhas, como na linha de trabalho da bailarina Marta Graham.

Segundo ela, a dança contemporânea busca inovar. “Suas coreografias refletem o presente. Ela cria e recria através da movimentação corpórea. Uma das expoentes do estilo é a coreógrafa Deborah Colker, que faz uma pesquisa profunda para mesclar dança, resistência e força”.

Karla Bernard diz que a escola contribui na formação crítica dos alunos. Ela cita como exemplo o musical Olhares, espetáculo apresentado pela escola no final do ano retrasado, em que as crianças tiveram contato com a música do compositor Chico Buarque de Holanda.

“Do Sonho À Fantasia” foi o tema do último espetáculo, que teve a direção de Egbert Mesquita e homenageou Walt Disney. Na apresentação, as coreografias remetiam à infância do desenhista e retrataram a sua vida. Projeções de filmes ao fundo interagiam com as coreografias criando uma atmosfera de sonho.

Nos festivais de que participa, a Escola Livre de Dança tem sido representada por dois grupos: o “Vértice” e o “Arte N’Alma”, com premiações conquistadas no Festival Cidade de Santos — Dançar a Vida e no Passo da Arte de Cubatão.

No próximo dia 18 de junho, às 19 horas, no Teatro Municipal Brás Cubas, a escola vai apresentar um festival interno, aberto ao público, com coreografias sobre datas festivas do calendário. As coreografias serão desenvolvidas pelos próprios alunos e visam desenvolver o lado artístico.

Origem — Ao entrar na Escola Livre de Dança, o visitante ouve a música de uma das duas salas de aula, que envolve todo o ambiente. Na recepção, há livros de dança, revistas e fitas dos espetáculos de fim de ano. Alguns troféus conquistados pelo corpo de baile também estão expostos.

A escola foi fundada no ano 2000, a partir do projeto que as professoras Adriana Aires, Elaine Martins, Fátima Abreu e Sandra Alves levaram à Secretaria da Cultura de Santos. No início, oferecia dança criativa, estilo livre e dança moderna. Hoje, tem mais de 500 alunos matriculados.

Há um ano e meio, a coordenação da escola está a cargo de Aurora Sarro. A Escola Livre de Dança conta com a Associação de Pais e Alunos que se mantém com contribuições voluntárias. A arrecadação é revertida para a escola ou para os alunos quando, por exemplo, a associação negocia um melhor preço na compra de vestuário para dança, ou auxilia alguns dos estudantes com vale-transporte e figurinos.

A Escola Livre de Dança abre inscrições no começo do ano. Os alunos que participam dos cursos e oficinas recebem certificados. O endereço é Rua Antônio Bento, 49, Vila Mathias. Telefone (13) 3223-0629.

20 de mai. de 2007

Jornalismo Cidadão em pauta

A CNN tem uma nova e interessante forma de interação com os telespectadores, que podem participar através de vídeos, fotos e comentários. Além da notícia e de fatos que causem surpresa. O site dialoga com as pessoas em eventos como os dias da mães, e, após a morte de Bóris Ieltsin, os internautas escrevem depoimentos sobre a importância do lider soviético. No blog do CNN-Exchange há comentários sobre os vídeos e fotos apresentadas, às vezes com os bastidores das notícias. O ponto positivo é que a interatividade aproxima as pessoas ao veículo, indo além de mero telespectadores. No entanto, o entretenimento continua forte, mesmo em um canal jornalístico, prevalece o lazer em vez da reflexão.
O jornalismo cidadão tem como pioneiro o site OhmyNews que tem sua sede na Coréia do Sul e recebe reportagens de internautas, denominados repórteres cidadãos. Ele é igual a um jornal com diferentes editorias. Do Brasil, foi notícia a derrota do Flamengo e a visita do Papa. As notícias, a meu ver, estavam imparciais. O site conta com um manual de estilo, um código de ética (só permitido acesso a assinantes) e dicas para os repórteres postarem de acordo com os padrões. Se um repórter fizer 25 reportagens simples, sem dar manchete, ele recebe 50 dólares. o que provavelmente não paga o custo da operação. Também há uma adaptação do slogan do NY Times com: That's fit to share with you. Deveriam ter usado a criatividade do desenvolvimento do site também no slogan e não ficar copiando o Sr. Ochs

17 de mai. de 2007

Hai-Kai

Marias-sem-vergonha no jardim de Alá
Ondas quebrando na beira do mar
Bailarinas girando ao som de Bach

12 de mai. de 2007

Escolinhas em SV formam jogadores para times grandes

Em São Vicente, duas escolas preparam jogadores para times de todas as divisões do futebol paulista. No São Paulo Futebol Center e na Escolinha do São Caetano, os atletas que se destacam vão para as categorias de base desses e de outros clubes.

Muito esforço, vontade e dedicação fazem parte do dia-a-dia de cada jogador que busca se profissionalizar. “Hoje, o futebol exige dos jogadores que estão começando dedicação semelhante aos estudos para se chegar a uma faculdade. Qualquer jogador tem chance de atuar em um time grande. O principal requisito é ter vontade”, diz Wilson Topp, coordenador da escolinha do clube do ABC.

Para Topp, o futebol se profissionalizou e os treinadores dos times grandes e médios, quando vão fazer teste com os jogadores, observam, além do talento, o aspecto técnico: se o jogador sabe se posicionar, receber a bola e trocar passes, ou seja, se o garoto já tem domínio tático. Tudo isso facilita a escolha do jogador para as categorias de base.

De acordo com o coordenador, a escola de futebol aprimora o jogador nos aspectos físico e tático. Os treinos acontecem três vezes por semana e a duração média de duas horas. Os treinadores da escolinha do São Caetano são ex-jogadores com formação em educação física.

“Não existe um tempo mínimo para o aluno participar dos testes nos times. Encaminhamos o jogador quando ele está preparado”, afirma Wilson Topp.

O futebol de salão tem a preferência da garotada, diz o coordenador, porque "é mais fácil fazer gol, o campo é menor, geralmente coberto e os meninos não se sujam tanto quanto no campo". Mas ele ressalta que, quando se começa a jogar no tempo certo, na idade de 9 ou 10 anos, não faz muita diferença se é futebol de campo ou salão.

A escola de futebol do São Caetano começou na praia do Itararé há dois anos. Hoje ela tem 70 alunos. Sete deles jogam na Portuguesa Santista - cinco na categoria sub-15 e dois na sub-17.

A dedicação do jogador também é destacada pelo proprietário da escolinha São Paulo Futebol Center, José Celestino de Menezes. “A força de vontade e o esforço fazem a diferença em um jogador que queira se destacar e jogar em um time grande”.

Nos treinos, os meninos aprendem os fundamentos e a tática do futebol. “Não existe um tempo mínimo para aprender”, afirma Celestino. Ele diz que no ano passado um dos meninos fez teste para o São Paulo uma semana depois de ter entrado para a escola, e foi selecionado para o clube. Já outros ficam de dois a três anos e não passam nos testes.

Segundo Celestino, o São Paulo Futebol Clube realiza quatro avaliações dos jogadores da escola por ano. Duas são no centro de treinamento do clube paulistano e duas na escolinha. No ano passado, a escola tinha 200 meninos e cinco foram selecionados para as categorias de base do clube.

A escola prepara o jogador ensinando os fundamentos, aspectos táticos e preparo físico. Os treinos, com duração de três horas, ocorrem de segunda a sexta-feira, no 2º Batalhão de Infantaria Leve e no Jóquei Clube. Celestino ressalta que não existe a obrigatoriedade de se treinar todos os dias. "Os alunos têm livre arbítrio”.

Ele conta que decidiu ter uma escola do São Paulo por considerar que o clube é o que oferece melhor assistência aos franqueados, como palestras e cursos para os professores. O São Paulo, ao selecionar os jogadores das categorias de base, prioriza os das escolinhas franqueadas.

Celestino considera importante o aluno começar no futebol de salão, citando como exemplo jogadores como Djalminha, Ronaldo Fenômeno e Robinho.

Futsal - No Centro Esportivo Robinho, 420 meninos e 54 meninas participam das escolinhas de futebol de salão. Existem dez horários diferentes de treino. As equipes disputam campeonatos em todas as categorias. De acordo com o coordenador do centro esportivo, João Rodrigues, o Rodinha, há uma lista de espera grande.

“Noventa e cinco por cento dos jogadores de futebol de campo começam jogando no futebol de salão, que é a escola do futebol de campo, porque melhora a parte tática e fortalece a disciplina. O aluno tem que usar a camisa para dentro, não pode xingar, tem que ser educado e ao mesmo tempo fazer lances rápidos e marcar o time adversário”, explica Rodrigues.

Para o coordenador, a prática do esporte desenvolve o convívio social. “O esporte é tão importante quanto a saúde e a educação, porque trabalha a parte física e social”.

Jogadores - Wagner Hainklain Jaques Júnior, de 15 anos, é volante da Portuguesa Santista, onde joga na categoria sub-15. Ele começou a jogar futebol aos 8 anos e freqüenta a escolinha do São Caetano desde 2006.O jogador afirma que melhorou na escolinha, “Eu desenvolvi a musculatura, velocidade e resistência”, diz. Agora, Wagner pretende se tornar profissional. “Vou fazer o máximo possível para isso acontecer”, promete.

O zagueiro do time do Jabaquara, Ariel Silva Ribeiro dos Santos, de 14 anos, joga futebol desde os 8. Ele começou no Esporte Clube Beira Mar, onde frequentou a escolinha de futebol de salão por seis meses. Atualmente, tenta conciliar os estudos da sétima série com o futebol. Ele treina de segunda a sexta e tem como objetivo jogar num clube grande e seguir carreira no futebol.

Outro jogador do Jabaquara, Francisco Júnior, de 15 anos, é lateral esquerdo e também joga futebol desde os 8. Ele freqüentou escolinha por dois anos e diz que conseguiu se destacar. O jovem está na oitava série e afirma que consegue conciliar a escola com o futebol. No futuro, pretende jogar fora do Brasil.

Serviço - A Escolinha São Paulo Futebol Center treina às segundas, quartas e sextas, às 14 horas, no Segundo Batalhão de Infantaria Leve, em São Vicente. Informações pelos tels. (13) 9121-7402/3564-1717.

A Escolinha do São Caetano treina às terças, às 15 horas, na Praia do Itararé; às quintas às 15 horas; e aos sábados às 9 horas, no Segundo Batalhão de Infantaria Leve. Informações pelos tels. (13) 9141-5357/3026-6504.
( Reportagem Para o jornal online da Unisanta)