19 de jun. de 2008

Une Nouvelle Magazine

Na noite do 8 de maio, uma quinta-feira perto da hora em que a gente sai para ir ao bistreaux, nasceu a Revista Pausa com uma abordagem nova sobre o documentário trés chic e trés esclarecedor do nosso compositor da Nouvelle Music.

Atarefado com algumas reportagens e trabalhos acadêmicos, não percebi a produção cultural dos amigos que efervescia. De toda forma, agora, aproveito para homenagear a iniciativa e colaborar com alguns textos e matérias.

A revista que tem formato inicial de weblog merece uma visita quase que diária para se saber o que jornalistas e escritores, antenados com a cidade, estão descobrindo e dividindo com os leitores.

O raro brinde com a coca-cola é um desejo de sorte,inovação, cultura, páginas impressas e vida longa à Revista Pausa. Cheers!!!

1 de mai. de 2008

Uma vida dedicada à arte gráfica

Um menino negro corre empunhando a bandeira do Brasil. As estrelas dos 27 estados caem e se espalham pelo chão iluminando o caminho percorrido pelo garoto. Ao fundo aparecem colagens de obras gráficas feitas nos anos do regime militar. Todo o conjunto é obra do artista gráfico Elifas Andreato que ministrou aula magna na Unisanta para os alunos do curso de Produção Multimídia, na quinta-feira, 24 de abril.

Por meio da animação, exibida na aula e feita para a abertura da minissérie Queridos Amigos, Andreato mostrou um panorama de sua carreira. Dos primeiros anos como chargista do jornal dos operários quando trabalhava como aprendiz de torneiro mecânico para uma fábrica de fósforo até a luta contra a ditadura em que ilustrava a idéia dos jornalistas contrários ao regime da época. No mesmo período fez capas de disco para os cantores e compositores da música popular brasileira(MPB). Naquele momento, a MPB foi porta voz das insatisfações impostas pelo regime militar.

O artista, que se considera um cidadão brasileiro, um profissional de imprensa e um desenhista gráfico, ressaltou a importância de ser coerente com obra que se realiza e ter humildade ao ilustrar trabalhos de outros autores, como capas de discos e livros, ilustrações e cartazes.

“Quando comecei a trabalhar como artista gráfico eu parti de um princípio simples, seria o sujeito que traduziria para o papel um convite para que as pessoas conhecessem obras muito maiores que a minha, e esta consciência me trouxe uma enorme responsabilidade, que é de traduzir corretamente o conteúdo das coisas, porque ninguém ouve um disco ou lê um livro sem antes ver a capa, e também para se ir assistir a uma peça de teatro, primeiro se vê o cartaz”.

Andreato falou sobre o processo criativo em que para expressar uma grande obra é preciso conhecê-la profundamente. Isso marcou a sua forma de buscar um contato não só com a obra, mas também com o autor. Nas capas de discos, o artista retratou momentos particulares dos compositores. Um dos casos é a capa que mostra o músico Paulinho da Viola, com lágrimas nos olhos, oferecendo um buquê de flores. A imagem ilustrou o disco Nervos de Aço. De forma sutil o ilustrador fazia referência à separação do compositor.

Sendo um artista experiente, Andreato disse que ainda sente uma certa insegurança ao realizar alguma encomenda. “Com o passar do tempo tudo fica mais difícil porque a tua exigência é maior e o que as pessoas esperam também é maior. Não se iludam vai ser difícil a vida toda”.

Dois elementos são marcantes na obra de Andreato. Personalidades com rosto de palhaço e estrelas. Para o artista, as estrelas representam a esperança, o inalcançável e o nascimento. Uma lembrança da infância no interior, onde o céu noturno sempre estrelado o fazia colocar no papel na tentativa de alcançá-las. O palhaço para Andreato representa um dos objetivos da arte. “O palhaço se entrega aos outros sem esperar nada em troca, apenas o sorriso”.

3 de abr. de 2008

Sarau na biblioteca retrata o amor com canções autorais

(Matéria publicada no site da Universidade Santa Cecília em 03 de abril 2008)

Na última quinta-feira de março, a biblioteca central da UNISANTA foi o palco para trovadores modernos. Em cena, canções e poesias de amor, interpretadas por Anna Beatriz, Anna Fecker, Rita Massutti e Íris La Cava acompanhadas no violão por Zéllus Machado e Bruno Volgi.

Intercalando poesias e canções autorais como Bela de Balzac, Lia Mar, Selva de Chacais, Enamorada e Deusa da Noite, o grupo fez o público, por um momento, esquecer das preocupações cotidianas e sonhar com os romances retratados nas páginas dos livros.

A declamação das poesias foi acompanhada por suaves acordes que, em seguida, davam formas às canções. Antíteses, metáforas e outras figuras de linguagem estavam presentes ao tentar explicar os sentimentos de amor e amizade.

O criador do espetáculo e autor das canções, Zéllus Machado, elogiou a iniciativa e sugeriu que, "se tenha mais gente se apresentando na biblioteca, unindo literatura e musicalidade". Zéllus também lembrou que a apresentação tem um lado lúdico que visa melhorar o ser humano.

"Amores é um show sensível que fala das emoções, tão em voga hoje em dia", afirmou a produtora cultural Marcia Abbud, que assistia a apresentação e disse que o show tem uma boa concepção artística.

A apresentação foi encerrada com a canção Jorge de Capadócia, que segundo Zéllus é uma benção para o show continuar. A tradição do auxílio divino aos cavaleiros medievais é seguida pelos trovadores modernos principalmente quando se trata de cantar o amor.

17 de dez. de 2007

Cenário de ficção científica no dia-a-dia

Leonardo Leal Martins

(Matéria publicada em A Tribuna, segunda-feira, 17 de dezembro de 2007)


Há exatos dez anos, o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov enfrentou o 'Deep Blue', um supercomputador capaz de analisar 200 milhões de movimentos em um único segundo. A derrota do mestre russo foi tida por muitos como uma visão do futuro, onde as máquinas irão sobrepujar o cérebro humano.


Mas, na verdade, o que o Deep Blue fez foi 'apenas' analisar milhões de partidas arquivadas em seu cérebro eletrônico, compará-las com os lances feitos por Kasparov e optar por uma determinada resposta. O Deep Blue não raciocinou e nem teria como fazer isso.

Raciocínio é algo muito, mas muito mais complexo. Os computadores atuais não são capazes, por exemplo, de responder perguntas aparentemente simples.

É como aquela brincadeira de quem olha para a foto principal dessa página e pergunta se os copos estão meio cheios ou meio vazios. Para responder é preciso lidar com variáveis as quais os cérebros eletrônicos não são capazes. Ainda.

Elevador inteligente


Por isso, para que no futuro a tão sonhada empregada robótica possa saber se um bife está bem ou mal passado, será preciso dotá-la de Inteligência Artificial, um dos mais modernos ramos da pesquisa científica, na qual a Cidade de Santos é um dos principais pólos de desenvolvimento no País.

Trata-se do Grupo de Estudos em Lógica Paraconsistente Aplicada (GLPA — veja reportagem abaixo) da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Atualmente, o GLPA reúne alunos e professores e desenvolve aplicações em áreas como a Engenharia, Medicina e Administração.

Há vários projetos em desenvolvimento. Um deles é um software que otimiza o funcionamento de um elevador. De acordo com a distância a percorrer entre os andares e o número de passageiros, o elevador que raciocina é capaz de aumentar ou reduzir a velocidade de acordo com as necessidades do momento.

O programa foi desenvolvido por Fernando Marques do Amaral e Milton Gomes de Oliveira Júnior, do curso de Engenharia Eletrônica, sob a orientação do professor João Inácio da Silva Filho, um dos coordenadores do GPLA.

Diagnósticos mais precisos


Já em parceria com a Eletropaulo, o grupo está desenvolvendo um software para controle das subestações de fornecimento de energia elétrica. Segundo o coordenador do curso de Engenharia Elétrica, Alexandre Rocco, ele é capaz de propor a melhor alternativa para o restabelecimento da energia no caso de 'apagões'.

A medicina é outra área onde a Lógica Paraconsistente pode trazer inúmeros benefícios aos seres humanos. Gilberto Holms, estudante de Engenharia da Computação, criou um software que antecipa os riscos do paciente sofrer de hipertensão e de doenças do coração.

Para isso, ele leva em consideração diversas variáveis, tais como pressão arterial, tabagismo ou sedentarismo entre outras, possibilitando um diagnóstico muito mais preciso. Sistema semelhante foi criado para a área da odontologia. Na prática, ele permite definir pelo melhor tratamento para a correção das irregularidades nos dentes.

Software 'anticalote'

As possibilidades da Lógica Paraconsistente são tantas que no futuro uso ela poderá definir se você será ou não capaz de pagar um empréstimo bancário. O software 'anticalote' foi desenvolvido pelos estudantes de Engenharia Eletrônica André Luis Gomes e Anderson Alves de Almeida. "O objetivo é facilitar a análise de crédito identificando as diversas possibilidades do cliente pagar ou não um empréstimo", declarou Gomes. Semelhante a um analista de finanças, o programa calcula as possibilidades de pagamento de cada cliente. Na análise são ponderados fatores como comprometimento de renda, responsabilidade do cliente, garantias de pagamento e possíveis restrições do cliente entre outras variáveis. O software analisa o grau de certeza e dúvida de cada item, com valores que oscilam entre zero e um. Dessa forma, o programa pondera se aprova ou não o empréstimo. Produtos como esse são de grande interesse não só para os bancos, como para toda a sociedade. Afinal, a taxa de juros também leva em conta o risco de calote. Na medida em que as análises são mais precisas, pelo menos em teoria, o perigo de inadimplência cai, o que facilita o acesso ao crédito.

Grupo santista é pioneiro no mundo

(Matéria publicada em A Tribuna, segunda-feira, 17 de dezembro de 2007)


O conceito de Inteligência Artificial (IA) faz parte de um ramo da Matemática que teve origem na Filosofia. Batizada de 'Lógica Paraconsistente', ela foi criada na década de 1960 pelo polonês Stanislaw Jaskowski e pelo brasileiro Newton Carneiro da Costa.

Hoje, sabe-se que essa ferramenta é capaz de ser usada em várias atividades do nosso cotidiano, da Medicina ao monitoramento de aeronaves.

É comum, por exemplo, que um paciente em estado grave receba diagnósticos variados. Um computador comum não entenderia essas contradições e não poderia buscar auxílio em um banco de dados.

Porém, se dotado de Lógica Paraconsistente, ele seria capaz de reconhecer os diferentes diagnósticos e recolher dados relevantes para o auxílio daquele doente.

Processo semelhante também pode ser aplicado no controle do tráfego aéreo. Na maioria dos acidentes, como se viu no caso do jato Legacy e do avião da Gol, boa parte das inúmeras variantes que cerca a atividade ainda depende muito dos pilotos e dos controladores de vôo.

Com softwares inteligentes e capazes de assimilar eventuais contradições, como dois aviões na mesma rota, as falhas poderiam ser drasticamente minimizadas.

Pioneirismo

No Brasil, porém, são poucos os pesquisadores nessa área. Segundo o professor João Inácio Silva Filho, coordenador do Grupo de Lógica Paraconsistente da Unisanta, o pólo de pesquisa santista "é pioneiro no mundo a usar a metodologia da Lógica Paraconsistente com anotação de dois valores (LPA2v)", que desenvolve projetos de inteligência artificial e lida com dados contraditórios.

Atualmente, o Grupo conta com 18 integrantes das diversas universidades onde existem estudos da Lógica Paraconsistente.

As ações desenvolvidas incluem cursos, seminários, encontros científicos, divulgação de trabalhos e de novas tecnologias na revista semestral 'Seleção Documental'.

De acordo com o pesquisador, as aplicações práticas da Lógica Paraconsistente também motivam os alunos a desenvolver diversos projetos.

"A criação do Grupo se deu em função da necessidade de aglutinar os resultados das contribuições das pesquisas e desenvolver projetos práticos para atender às exigências do mercado tecnológico atual", afirma.